segunda-feira, março 20, 2017

Mantra

Nunca ficar pela metade, nunca calar a mente...
Deixar que o caminho se desenhe à medida que o vamos trilhando.
Entregar o futuro nas mãos de quem o adivinha.
Chegar à cama e dormir profundamente.
Fazer o que é certo.
Como única, viável, possível alternativa.
Não viver acomodado.
Desafiar os limites todos os dias. Das mais diversas maneiras.
Aprender.
Crescer.
Querer.
Melhor.
Nunca fácil.
Sempre o que está certo.
O que é, hoje, o correcto!

terça-feira, janeiro 31, 2017

A vida que há em mim

Eu sei: é assustador.
A minha Vida é tão cheia, de mim e dos outros, que assusta.

Durante grande parte da minha vida desejei ser um cliché e fazer tudo como manda a cartilha. Vivi a querer passar despercebida, a ser apenas mais uma. A misturar-me. A ser medíocre quando os outros eram fracos. Porque o meu maior desejo era ser normal e eu sempre me senti tão diferente dos demais...

Hoje sei que não é esse o caminho.

Desde que assumi a minha "diferença" que vivo sossegada comigo mesma. Mas num constante desatino com os outros e com aquilo que se supõe que seja.
Logo eu... que sei tão bem quem sou, por onde não vou e com quem vou.

A Vida é, muitas vezes, injusta comigo.
Sou transparente, sincera, honesta, empreendedora e a Vida comporta-se como se me estivesse a conhecer todos os dias. Como se não soubesse quem eu sou. Como se desconhecesse as minhas prioridades. Como se me quisesse apanhar numa qualquer armadilha, "apanhar-me na curva."
Fiz sempre questão de usar legendas. De explicar quem sou. O que me identifica. Usei sempre, de todas as vezes, cláusulas rectas em contratos. Nunca me defendi por frases em rodapé, em tamanho 5. Apresentei-me. De braços abertos.
Ainda assim, há quem não me conheça. Pense que me pode ajustar às suas necessidades...

Já o disse neste espaço e reforço: hei-de sempre ter dois pesos e duas medidas. As pessoas ocupam o lugar na minha vida que eu permito que ocupem. Independentemente dos riscos associados. Hei-de sempre partir para todas as viagens com o coração no peito, a ser meu. Inteiramente meu!
Hei-de viver sempre com a certeza de que o que me identifica e separa dos demais será sempre valorizado com mais intensidade que desprezado. E isto só é possível graças à quantidade de pessoas que vivem no meu abraço.

A quantidade que me enche o tempo.
A qualidade que me enche a alma.

A Vida cheia. De mim.
Do que, com os outros, me faz SER maior!

quarta-feira, novembro 16, 2016

Corrosivo

Sobre as coisas que vamos engolindo quando:

- nos roubam a identidade;
- toda a luz que trazemos, cega;
- somos reduzidos a peças de um puzzle sem encaixe possível;
- nos mandam conter gargalhadas;
- somos a segunda opção;
- nos reconhecem por todos os motivos excepto pela validade indiscutível;
- perdemos pessoas que partem para sempre;
- perdemos pessoas que partem sem certeza de regresso.

O equivalente a beber uma garrafa de ácido sulfúrico.

Uma garrafa com rótulo de água, entregue em mão.
Uma garrafa de água com ácido sulfúrico.

Quantos de nós, hoje, nos podemos dizer corroídos ou corrompidos e, ainda assim, acreditar que há solução para o mal que mora cá dentro...
Haja estômago!

segunda-feira, novembro 07, 2016

Nunca me aborreço

A pneumonia atacou-me desta vez e deixou-me KO em regime de clausura há exactamente uma semana. Papar televisão o dia todo não é opção nem tampouco ler. A febre "fritou-me" um bocadinho o cérebro... Começo, aos poucos, a recuperar e a ter vitalidade suficiente para me manter 10 minutos em pé sem me sentir cansada mas não me parece que ainda esteja física e psicologicamente preparada para dar cabo da pilha de roupa que tenho por passar... Tenho outras opções!
Esbarrei com os bordados esquecidos nas caixas e com trabalhos de crochet começados e inacabados. Combina com o estado de espírito: mínimo raciocínio, mínimo esforço.

Esbarrei, ainda, com um dos meus diários da adolescência... Que revelação!
Ainda não tive a capacidade nem paciência para ler o que por lá tenho compreendido entre 1997 e 2001. Chego à conclusão que apenas tenho um monte de referências a pessoas que nada me dizem, não escrevi nos dias efectivamente importantes, assinei todas as folhas (como se mais alguém fosse lá escrever...) mas gostei de o encontrar. A adolescência é mesmo complicada...
Apesar de todo o mofo que supostamente teria ao fim de quase 20 anos, gostei imenso de o encontrar. Uma obra de arte pelas mãos da Livrario.
Está cheio de recortes e de bilhetes de filmes, concertos, mensagens e postais de amigos. Isto vale pela parvoíce toda que para lá está.
Deve ser o primeiro livro cujo conteúdo está à altura da capa...

Após um longo e moroso período de dedicação, personalização, brio, carinho e contributo de vários, o resultado final acabou por ficar... bonito!

E todos nós sabemos o quão difícil isso é.




segunda-feira, outubro 24, 2016

Há um mar

Há um mar que nos separa.
Que eu conte, pelo menos um.

Mas temos sempre os regressos.
A fé em como nada mudou.

Apenas as marés.


Fotografia tirada no Cabo Sardão - Portugal por Mariana Ramos - Jun 2016


domingo, outubro 23, 2016

Noite dormida

Hoje dormi 10 horas ininterruptamente.
Sem infusões, sem pastilhas. Sem despertador.
De volta à adolescência, quando tudo estava errado, recordo uma consulta médica em que o profissional me responde "não há nada de mal em dormir muito. É sinal de que o corpo precisa." À medida que a idade avança, começamos a perceber, realmente, a diferença entre o urgente e o importante. Parar, descansar, sossegar costuma ser importante. Excepto quando é urgente.

Depois vi no Facebook de uma amiga a mensagem que partilho aqui convosco.

Para mim é fácil perceber que toda a vida agitada, cheia de planos e compromissos, exige sossego. Concentração e triagem. Dedicar-mo-nos, cada vez mais, às pessoas e causas que mais precisam de nós. Nas quais fazemos a diferença. Estar onde, efectivamente, somos precisos. Com quem quer estar connosco.

Isto tem um preço. Alto, muito alto.
Não fazer fretes.
Negar convites, explicar o óbvio.
Ser acusado de viver em solidão.
Ser acusado de egoísmo.

Estar disposto a fazer, sempre, o que se quer fazer. O que, no âmago, se tem que fazer.
Preparar-se para a mudança sempre que ela se aproxima, quando urge.

Saber exactamente o que se quer da vida. Hoje da mesma forma que amanhã.

Isto só se alcança em total liberdade.
Em total responsabilidade de que há muita coisa que fica pelo caminho.

Mas nós não podemos ficar.
Nós é que não podemos ficar.



terça-feira, julho 05, 2016

"Sei-te de cor"

Sei que era ainda Verão quando te conheci.
Sei o vestido que vestia e que a minha pele ainda cheirava a praia.
Sei em que mesa nos sentámos e lembro-me bem o que me deste para ajudar no estudo e na preparação.
Sei que aceitei o desafio já com a certeza de que te ia encontrar. A ti ou a alguém como tu: que fazia com que o difícil parecesse fácil. O impossível fosse capaz.

O Verão acabou e eu sabia que eras para guardar.
Soube que te reconheci, no meio de tanta confusão.
Que te conheci mesmo nas partes que tu não conhecias ou querias esconder.

Que te olhei da mesma forma, com o mesmo brilho, que ainda hoje te olho até quando pareces um pedinte.

Porque, à nossa volta, há sempre música.
É impossível não guardar alguém que traz música...

Que É a música.